Once upon a time…
Drawn from: anywhere in the world, Present world story, Superhuman Helper, Man vs Fate Conflict. Told in Portuguese.
No relógio da estação de Brás, as 7h12 piscavam quando Gabriel decidiu desobedecer ao médico. Tinha trinta e nove anos, uma fibrilação teimosa e a recomendação de evitar emoções fortes. Mas a entrevista para o posto de técnico na subestação elétrica era às 8h, última chamada depois de seis anos de bicos e promessas quebradas. O pai, morto de enfarte aos quarenta e dois, rondava-lhe a memória como aviso.
O trem atrasou, o coração falhou uma batida, e o aplicativo do hospital apitou: arritmia detectada. “Sente-se, respire”, dizia a tela. Gabriel ficou de pé. No bolso, a carta de indeferimento do seguro saúde, dobrada em quatro, parecia um talismã torto. O destino, pensou, sempre tem suas setas, mas nem todo alvo é obrigatório.
Chegou suado, a camisa colada. Na sala de entrevistas, o engenheiro perguntou sobre quedas de tensão; Gabriel falou das madrugadas remendando redes, do poste onde caiu e levantou, do bairro que acendeu. Quando terminou, o smartwatch vibrava em vermelho. Ele respirou fundo, lento, como quem puxa um novo circuito, e decidiu: hoje, o coração obedece a mim.
Did it land?