Heaven, hell and sacred lands

Once upon a time…

Drawn from: Hell, Present world story, Hero, searching for an object. Told in Portuguese.

Em uma pequena cidade costeira chamada Vila do Sol, onde o mar beijava suavemente a areia dourada e as gaivotas dançavam no céu azul, vivia um homem chamado Miguel. Miguel era conhecido por sua habilidade em consertar quase tudo, desde relógios antigos até motores de barcos. No entanto, havia algo que ele não conseguia consertar: o vazio que sentia desde que seu avô, o velho Joaquim, falecera.

Joaquim não era apenas um avô para Miguel; ele era um mentor, um amigo. Crescendo, Miguel passara incontáveis horas na oficina do avô, aprendendo o ofício e ouvindo histórias sobre os tempos antigos. Mas havia uma história que Joaquim nunca terminara de contar, uma sobre um relógio de bolso que, segundo ele, tinha o poder de "parar o tempo" — uma metáfora, Miguel sempre supôs, para capturar momentos preciosos.

Após o falecimento de Joaquim, Miguel descobriu que o relógio de bolso estava desaparecido. O velho havia mencionado que o relógio era especial, mas nunca revelara seu paradeiro. Intrigado e impulsionado por uma saudade que não conseguia explicar, Miguel decidiu que encontraria o relógio, não importasse quanto tempo levasse.

A busca começou na própria casa de Joaquim, uma modesta construção de madeira com janelas que rangiam ao vento. Miguel revirou cada gaveta, cada armário, mas o relógio não estava lá. Conversou com a avó, Dona Teresa, que apenas sorriu melancolicamente, dizendo que Joaquim gostava de guardar segredos.

Miguel então decidiu expandir sua busca para além das paredes da casa. Visitou o mercado da cidade, onde Joaquim era uma figura conhecida. Perguntou a antigos amigos do avô, pescadores que passavam as tardes jogando cartas na praça. Todos lembravam do relógio, mas ninguém sabia onde ele estava.

Foi então que Miguel lembrou-se de uma história que Joaquim contava sobre uma caverna escondida na praia, um lugar onde ele ia para pensar e se refugiar do mundo. Decidido, Miguel foi até a praia numa manhã de neblina, quando as ondas eram suaves e o mundo parecia suspenso no tempo.

A caverna, escondida entre rochas e vegetação, era um lugar que Miguel nunca tinha visitado. Ao entrar, sentiu o ar fresco e úmido e ouviu o som das gotas de água caindo das estalactites. Vasculhou o chão, iluminando cada canto com uma lanterna. Foi então que algo brilhou sob a luz: um pequeno baú de madeira.

Com mãos trêmulas, Miguel abriu o baú e, ali, envolto em um pano de seda, estava o relógio de bolso. Era um objeto simples, mas de uma beleza singular, com gravações intrincadas em sua superfície dourada. Ao segurá-lo, Miguel sentiu uma onda de emoção e compreensão. O relógio não tinha o poder de parar o tempo, mas lembrava-o de que cada momento era precioso.

Com o relógio em mãos, Miguel voltou para casa, sentindo-se mais próximo de Joaquim do que nunca. Ele decidiu que o relógio não seria apenas uma lembrança, mas um lembrete constante de que cada dia tinha seu valor, que cada segundo contava.

E assim, na pequena Vila do Sol, onde o tempo parecia se mover mais devagar, Miguel encontrou não apenas um objeto perdido, mas uma parte de si mesmo. E sempre que o sol se punha no horizonte, ele pensava em Joaquim, grato pelas lições e memórias que seu avô deixara, sabendo que, de alguma forma, o tempo estava, de fato, ao seu lado.

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