Tales of the sea

Once upon a time…

Drawn from: a lighthouse in the edge of the world, Present world story, a random character related to $selectedTheme, searching for an object. Told in Portuguese.

Em uma pequena cidade no interior de Minas Gerais, onde as montanhas abraçavam o horizonte e as ruas eram pavimentadas com histórias de gerações, vivia Dona Celina, uma senhora de cabelos prateados e olhar sereno. Ela era conhecida por todos na cidade não apenas por seu sorriso acolhedor, mas também por sua coleção de relógios antigos, herdada de seu avô. Entre todos os seus tesouros, havia um relógio de bolso em especial, que tinha um valor sentimental inestimável.

O relógio de bolso, com uma corrente de prata desgastada pelo tempo, tinha pertencido ao bisavô de Dona Celina. Diziam que ele o havia levado consigo durante a guerra, e que o som do tic-tac do relógio era um lembrete constante de que o tempo sempre seguiria em frente, mesmo nos momentos mais difíceis. Era esse relógio que Dona Celina usava para contar histórias aos seus netos, sempre iniciando com "Quando o tempo era contado de forma diferente..."

Certa manhã, ao arrumar sua pequena sala de estar, Dona Celina percebeu que o relógio não estava mais no lugar de sempre, sobre a lareira, ao lado das fotos de família. Um frio percorreu sua espinha. Ela revistou cada canto da casa, desde as gavetas da cozinha até o sótão empoeirado, mas o relógio parecia ter desaparecido. A inquietação tomou conta de seu coração.

Determinada a encontrar o objeto precioso, Dona Celina decidiu pedir ajuda aos vizinhos. Naquela cidade, onde todos se conheciam, não era difícil mobilizar uma busca coletiva. As crianças, sempre curiosas e com energia de sobra, aceitaram a missão como uma grande aventura. Elas vasculharam os jardins, olharam embaixo das varandas e até mesmo nos galinheiros. Os adultos, por sua vez, verificaram as lojas de penhores e perguntaram nos mercados locais se alguém havia visto o relógio.

O tempo passava, e a busca pelo relógio de bolso se tornava uma espécie de evento comunitário. A cada dia, mais pessoas se uniam à procura, movidas pelo carinho que sentiam por Dona Celina e pela história do relógio que agora era conhecida por todos. A cidade, que antes seguia seu ritmo tranquilo, agora pulsava com a energia de uma missão compartilhada.

Certa tarde, enquanto o sol dourava as colinas ao redor, uma das crianças, Joãozinho, veio correndo pela rua principal, com os olhos brilhando de excitação. Ele segurava algo reluzente em suas pequenas mãos. "Encontrei! Encontrei o relógio!", gritava ele, enquanto os moradores se juntavam ao seu redor.

Joãozinho contou que, durante suas buscas, havia se lembrado de um velho celeiro nos arredores da cidade, um lugar que costumava ser o esconderijo perfeito nas brincadeiras de esconde-esconde. Lá, entre pilhas de feno e ferramentas antigas, ele encontrou o relógio, como se alguém o tivesse escondido ali por engano ou travessura.

Dona Celina, com lágrimas nos olhos, abraçou Joãozinho e agradeceu a todos que haviam participado da busca. O relógio voltou ao seu lugar de direito, sobre a lareira, mas agora carregava consigo uma nova história, a de como uma cidade inteira se uniu por um único propósito.

Aquele episódio não apenas devolveu a Dona Celina seu precioso objeto, mas também fortaleceu os laços entre os moradores, lembrando-os de que, assim como o tempo, a solidariedade e o amor são eternos. E, naquela cidadezinha mineira, o som do tic-tac do relógio de bolso continuou a embalar as histórias de Dona Celina, agora com mais um capítulo a ser contado.

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